Histórias zen

O rico e o pobre
Certo dia, um homem rico dera um cesto cheio de lixo a um homem pobre. O homem pobre sorriu-lhe e partiu com o cesto. Esvaziou e limpou o cesto e o enxeu de flores magnificas . Regressou ao encontro do homem rico e devolveu-lhe o cesto. O homem rico ficou admirado e perguntou-lhe:
– “porque me deste esta cesta cheia de flores quando eu te dei senão lixo?”
Ao o que o pobre homem respondeu-lhe:
– “Cada pessoa dá o que tem no coração”.

O mestre e o escorpião
Certo dia, um mestre zen viu um escorpião afogar-se e decidiu tirá-lo da água.
Quando o fez, o escorpião picou-o.
Porque a dor da picada era muito intensa, o mestre largou o animal e novamente caiu na água afogando-se. O mestre tentou puxá-lo novamente e o animal picou-o outra vez.
Um jovem discípulo que estava a observar aproximou-se do Mestre e disse-lhe:
– “Peço desculpa Mestre, mas você é teimoso! Você não percebe que sempre que tentará tirá-lo da água ele irá picá-lo?”
O mestre respondeu:
– “A natureza do escorpião é picar e isso não altera a minha que é ajudar”.
Então, usando uma folha, o mestre tirou o escorpião da água salvando lhe a vida.
Dirigindo-se ao jovem discípulo, continuou:
– “Não mudes a tua natureza se alguém te fizer mal, toma apenas precauções. Alguns buscam a felicidade, outros a criam. Quando a vida te der mil razões para chorar, mostra-lhe que tens mil razões para sorrir. Preocupa-te mais com a tua consciência do que a tua reputação. Porque a tua consciência é o que tu és é a tua reputação é o que os outros pensam que ês… E o que os outros pensam de ti… é o problema deles! ”

O mestre Zen e a chávena de chá
Nan-in, um mestre zen do século XIX recebe a visita de um professor Universitário americano que desejava saber mais sobre o zen.
Enquanto Nan-In preparava silenciosamente o chá, o professor falava efusivamente sobre as suas próprias visões filosóficas.
Assim que o chá estivera pronto, Nan-In verteu delicadamente a bebida quente na chávena do seu visitante.
O professor continuava a falar.
E Nan-In continuou a verter o chá até a chávena transbordar.
Alarmado ao ver a bebida derramada sobre a mesa, arruinando a cerimónia do chá, o professor exclamou:
– “Mas a chávena está cheia! Não tem espaço para mais!”
 Nan-In respondeu calmamente:
– “Você é como esta chávena, já está cheio de crenças e ideias preconcebidas. Como poderia falar-vos do zen? Para poder aprender, comece por esvaziar a sua chávena!”

Os dois monges e a donzela
Dois monges andavam à beira de um rio rumo a um mosteiro zen. Caminhavam em silêncio, concentrados no acto de andar, como lhes tinha ensinado os mestres antigos da sua tradição.
De repente, apercebem-se de uma pequena e jovem donzela completamente desamparada, com um ar muito frágil e com medo de atravessar o rio e ser arrastada pela corrente.
Sem perder tempo, o mais velho dos monges leva a jovem às costas e atravessa o rio com vigor e deixe-a na outra margem. A jovem agradece e ele regressa junto do seu companheiro de viagem do outro lado do rio. Retomam o caminho, em silêncio, concentrados em cada passo.
Uma hora depois, o jovem monge quebra o silêncio e diz com um ar sombrio:
– “Venerável, você quebrou um preceito, não temos o direito de tocar numa mulher e muito menos carregá-la às costas”.
O monge mais velho continua a caminhada em silêncio.
Alguns minutos mais tarde, virando levemente a cabeça com um sorriso cheio de compaixão, responde:
– “Meu jovem amigo, deixei a moça do outro lado do rio, você ainda está a carregá-la às costas…”

O Alto funcionário Hakurakuten e o monge Dorin
Dorin, discípulo do mestre Dokin, costumava praticar zazen num denso pinhal do monte Shimbo no Japão. Os seus contemporâneos chamavam-lhe “ninho de pegas” porque costumava praticar num ramo alto de uma árvore rodeado de pássaros e principalmente de pegas que aí faziam o ninho. 
Um famoso diálogo entre o monge Dorin e um alto funcionário do Estado de nome Hakurakuten ficou para a história do Zen.
Hakurakuten disse lhe:
– “Você vive num lugar muito perigoso.”
Dorin respondeu-lhe:
-“Vós estais num lugar muito mais perigoso!”
Hakurakuten questiona-o:
– “O que há de perigoso de ter a meu cargo esta província?”
Dorin retorquiu:
– “Como pode dizer que não está em perigo quando as suas paixões o consomem como uma fogueira ardente e que está constantemente preocupado com isto ou aquilo?”
Então o alto funcionário perguntou-lhe qual era a essência do Budismo e o monge respondeu-lhe citando as palavras de Shakyamuni:
“Não façam o mal, praticai o bem, deixai a consciência purificar-se a ela própria, isso é o ensinamento de todos os Budas”.
Hakurakuten contrapôs:
– “Qualquer criança de três anos sabe isso”.
Ao que Dorin respondeu-lhe:
– “É verdade, uma criança de três anos sabe disso, mas nem um homem de oitenta anos consegue praticá-lo.”
O Alto funcionário despediu-se do monge com um profundo gassho  

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